31 de agosto de 2012

UPA já está funcionando em São Sebastião

Os 130 mil moradores da região contarão com atendimento de urgência e emergência 24 horas por dia


Evelin Campos, da Agência Brasília
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, acompanhado da primeira-dama, Ilza Queiroz, inaugurou nesta sexta-feira (31), em São Sebastião, mais uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do DF. A estrutura, destinada ao atendimento de urgências e emergências nas áreas de clínica médica e pediatria, vai beneficiar cerca de 130 mil moradores da região e reduzirá a procura pelo Hospital Regional do Paranoá.

"Estamos mudando uma cultura na saúde pública do DF, de procura ao pronto-socorro de hospitais em casos não hospitalares. Com o investimento em unidades de atenção primária e no atendimento de emergência perto das casas das pessoas, vamos resolver a distorção na saúde pública e criar um novo conceito de atendimento", destacou Agnelo Queiroz.

O investimento na unidade chega a R$ 3 milhões – recurso do GDF e do Ministério da Saúde. Com capacidade para atender 450 pessoas por dia, a UPA de São Sebastião conta com equipamentos e materiais para consultas e exames, e 16 leitos para pacientes em observação. Para trabalhar no local, foram contratados 170 servidores, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e de radiologia, além de pessoal da área administrativa e laboratorial. Os profissionais fazem parte dos 360 concursados que tomaram posse no dia 28.

De acordo com o secretário de Saúde, Rafael Barbosa, a UPA vai melhorar de imediato a assistência aos moradores da região. "A reivindicação da comunidade por investimentos na Saúde era antiga, e essa unidade atenderá as demandas da população 24 horas por dia", ressaltou o secretário, lembrando que essa é mais uma ação para devolver qualidade à Saúde no DF.

A próxima Unidade de Pronto Atendimento será entregue no Núcleo Bandeirante, até o final do mês de setembro. De acordo com a Secretaria de Saúde, outras 10 unidades estão em processo de licitação e as obras devem começar em outubro.

A empregada doméstica Socorro dos Santos, de 28 anos, estava levando a filha para tentar atendimento no hospital do Paranoá, quando foi avisada sobre a UPA, que entrou em funcionamento no começo da tarde. "Será ótimo não ter que gastar com passagem ou passar o dia inteiro longe de casa", comemorou.

Conquista – Para a gerente da UPA de São Sebastião, Moema Campos, a inauguração da unidade vai melhorar o sistema de classificação de risco na região. "Antes só contávamos com os dois extremos: o centro de saúde, aqui, e o hospital, no Paranoá. Agora, poderemos fazer uma classificação mais precisa e ordenar o fluxo de atendimentos", explicou a gerente.

A dona de casa Daniela Holinger, de 33 anos, elogiou a iniciativa. Para ela, a principal vantagem da instalação da unidade será a comodidade. "Vai melhorar 100%, principalmente para nós, que temos filhos, pois não vamos precisar nos deslocar", disse Daniela, mãe de três filhos.

Funcionamento – Fruto de uma parceria entre o Governo do Distrito Federal e o Ministério da Saúde, as UPAs são estruturas de complexidade intermediária entre as unidades básicas de saúde e as portas de emergência dos hospitais. Com eficiência comprovada, as unidades possuem índice de 97% de resolutividade dos casos, o que representa menos procura aos hospitais.

As UPAs funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e têm capacidade para resolver grande parte das urgências e emergências, que incluem pressão e febre alta e fraturas. Quando o paciente chega às unidades, os médicos prestam socorro conforme a classificação de risco, priorizando os casos mais graves. Caso seja necessário, o paciente é encaminhado a um hospital da rede pública.

O próximo passo em São Sebastião é completar a rede de atendimento público, o que inclui a construção de um hospital. "O programa da Secretaria de Saúde prevê a implantação de unidades conforme a necessidade. A construção de um hospital na região está no programa do governo", garantiu Agnelo Queiroz. 

29 de agosto de 2012

Sessão Solene comemora os 50 anos da Psicologia no Brasil


A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) coordenará, nesta sexta-feira (31), uma sessão solene em homenagem aos 50 anos da Psicologia no Brasil. O evento, que será realizado no Plenário Ulysses Guimarães, da Câmara dos Deputados, é resultado de um requerimento apresentado pela parlamentar em coautoria com o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), que pedem a realização de um ato público para homenagear os profissionais da área e estudantes de psicologia. A iniciativa faz parte das comemorações do Dia do Psicólogo, celebrado na segunda-feira (27).

"Este é um momento importante de abrirmos a casa do povo (Congresso Nacional) para exaltar a psicologia e garantir a presença da categoria nas mais diversas áreas das políticas públicas", declarou a deputada.

Estão convidados para compor a mesa o presidente do Conselho Federal de Psicologia, Humberto Verona; o secretário nacional de Articulação Social da Presidência da República, Paulo Maldos; a presidente da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), Fernanda Magano; o presidente do Sindicato dos Psicólogos do DF, Leovane Gregório; a professora e diretora do Instituto de Psicologia da UnB, Mariza Borges; e a representante do Movimento dos Psicólogos Escolares do DF, Vanuza Sales.

“Já tivemos uma grande celebração no Senado para comemorar os 50 anos (da Psicologia no Brasil) e a expectativa é que, assim como foi no Senado, estudantes, psicólogos e convidados possam celebrar essa data tão importante na Câmara, no dia 31”, disse o presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Humberto Verona.

Durante o evento, os convidados discutirão os caminhos traçados pela psicologia de 1962 até os dias atuais, e os desafios a serem superados na profissão. O objetivo é fortalecer o compromisso social e a busca pela construção de práticas mais democráticas e cidadãs.

"Ser psicólogo, significa, lidar com a vida das pessoas. Este profissional tira as pessoas debaixo dos escombros de um país açoitado por tantas histórias de casas grandes e senzalas", assegurou Erika Kokay. 

Assessoria de Imprensa
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17 de agosto de 2012

Do suposto jornalismo “investigativo/informativo” ao reles jornalismo especulativo/sensacionalista



             Chegamos de vez ao fundo do poço, ou pelo menos já estamos quase lá. É fato cada vez mais corriqueiro nesses últimos tempos constatarmos uma assombrosa e vergonhosa falta de profissionalismo acarretada primordialmente pelo baixo nível de qualidade das informações despejadas goela abaixo no telespectador, pela ausência de coerência e principalmente ética no desempenho de um ofício tão louvável quanto útil à sociedade – o jornalismo, o verdadeiro jornalismo. Aquele que é sinônimo de verdade e transparência em todos os sentidos, mas que atualmente anda meio em falta .

          Hoje, não é bem isso que se ouve e se ver. O que temos de fato é um descabido sistema que trabalha mais para desinformar e alienar do que propriamente informar o telespectador-leitor-cidadão. A lógica se inverteu e já não temos um jornalismo verdade para e pela informação. Esta, agora, é corrompida, forjada, distorcida e notoriamente obrigada a se adequar plenamente aos interesses e conveniências da banda podre que está por trás e que controla os grandes grupos de comunicação.

        E por assim ser, assistimos bestializados a uma acirrada e interminável busca por todo e qualquer fato que cheire a polêmica e ibope – uma espetacularização banal da vida comum, marcada pela célere corrida que se observa perpassar da mídia impressa ao próprio telejornalismo. Como verdadeiros urubus a sobrevoarem o céu em vias de disputa por uma boa carniça “dando sopa” por ai, os veículos midiáticos não medem o menor esforço para chegar à carne podre e se satisfazerem a contento. Quem chega primeiro tem preferência e, portanto, faz da “chepa” o que bem lhe convier, inclusive “comê-la” por inteira e aguardar para mais tarde ter uma feliz digestão. Ou pode ainda comer apenas uma parte, satisfazendo-se somente em digerir algumas migalhas. Feita a comilança, a urubuzada sai em revoada. Agora, é esperar do alto, espreitar atentamente e de olhos bem arregalados qualquer outro foco ou sinal de comida, qualquer outro cheiro de carne fétida para novamente avançarem rápida e violentamente para mais uma vez saciarem a gorda fome!

         O que a equipe do famigerado DF Record fez  em São Sebastião nesta quinta-feira (17/08) foi a proeza de tentar mostrar, como também já fizera o infeliz Profissão Repórter, da Globo – na ânsia tresloucada de elevarem seus picos de audiência -  que a atividade jornalística já não é encarada com tanta seriedade, e muito menos com a vontade de buscar a informação em sua fonte a mais segura possível. Provaram que, mais fácil e menos trabalhoso é julgar os fatos pelas aparências, o dito pelo não dito, o todo pelas partes. É preciso lembrar um velho adágio reforçado por Baltazar Gracian em sua A Arte da Prudência: não pode ser bem entendido aquele que é mal entendedor! Fazer jornalismo é coisa séria, não ficou pra qualquer um, logo se vê.

         Sempre achei que o fazer jornalístico tinha algo em comum com a literatura. Acabei de constatar que realmente tem mesmo. Escrever um poema ou um romance talvez não exija conhecimento de causa, provas verossímeis que se aproximem de uma razoável verdade que convença o leitor. Mas é óbvio que jamais conseguirei falar precisamente da sensação de medo se nunca antes na vida a experimentei. Não conseguirei, sequer, dar uma ideia do sentimento de solidão, se nunca a tive. O máximo que conseguirei será mostrar uma meia verdade ou uma falsa impressão, o que pode ou não tocar o leitor. Geralmente não lhe causa efeito.

            Assim também é o jornalismo. Eu não posso falar com a mais alta precisão e verdade absoluta sobre a vida de uma determinada comunidade, não posso falar dos problemas sociais que por ventura persistam nela, se a visão que lanço sobre tal ambiente é desfocada, externa e distante, uma percepção míope, de fora para dentro. Também o que obterei aqui será um panorama mediano, parcial e naturalmente incompleto. Isso não merece de forma alguma ser chamado de jornalismo. Ninguém é tão idiota o quanto parece para receber e digerir algo do tipo. Só mesmo quem adora ser ludibriado.

        Chega de achismo. Chega de tanta lavagem cerebral! São Sebastião é muito mais do que essa imagem medonha e violenta que a TV está tentando vender na praça. A cidade não é a encarnação da violência e das rixas entre gangues. Ela também é cultura e tem muita coisa boa para mostrar para Brasília, para o Brasil e para o mundo. Sempre será mais fácil para os urubus de plantão apontarem os problemas e as mazelas sociais que assolam a cidade do que propriamente divulgarem as coisas boas, como a cultura local, o lazer, a gente trabalhadora e ordeira que aqui reside. É de uma monstruosa insensatez e ignorância acreditar que a violência e as drogas escolhem lugar, tempo e público para fazerem o que fazem com as pessoas. Para elas, qualquer lugar é lugar, qualquer um é qualquer um.

       A violência é um problema social e deriva de muitos fatores. Não nego que esse fenômeno seja um dos nossos calcanhares de Aquiles, mas, também não nego que a sua perversa persistência se dê na mesma proporcionalidade à ausência do Estado no cumprimento do seu dever constitucional. Quanto maiores os índices de violência na comunidade, cada vez mais temos a certeza de o quanto as políticas de educação, cultura, segurança, etc., etc. estão mais distantes de quem realmente precisa delas.

         Valei-me Cazuza. Com todo o respeito aos que fazem o DF Record, é preciso dizer que a piscina de vocês está tremendamente cheia de ratos, e dos bem grandes. Suas verdades não correspondem aos fatos! Fica aqui o convite: venham conhecer São Sebastião de verdade, mas venham mesmo, não fiquem apenas pelas beiradas ou na superficialidade desta cidade, não façam cerimônias. Venham, mas venham sem máscaras. Venham desarmados dos habituais sensacionalismo e especulação que lhe são próprios, estas duas navalhas que  violentam e sangram a reputação da melhor das comunidades.                                                                                                       

16 de agosto de 2012

V Plenária Nacional de Economia Solidária


3 de agosto de 2012

I Fórum Distrital de Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva


De 27 a 30 de agosto, o Instituto Federal de Brasília (IFB) irá promover o I Fórum Distrital de Educação Profissional e Tecnológica Inclusiva, que acontecerá no auditório da Fundação Universa, na quadra 610 norte, em Brasília. O evento tem como objetivo identificar as perspectivas da comunidade interna e externa quanto à inclusão na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica.

O evento é aberto aos interessados na temática e as inscrições são gratuitas. As vagas são limitadas e os interessados já podem se inscrever para participar das atividades do fórum (clique aqui e faça sua inscrição).

O Fórum trará, entre outras atrações, painéis, apresentações de posters, palestras, mesas-redondas e debates (confira a programação completa do evento). Na abertura, o evento contará com a presença do professor Romeu Sassaki, que ministrará  palestra a respeito do tema “Formação Profissional e as Pessoas com Deficiência – caminhos e possibilidades”.

No evento também serão apresentados relatos de experiências exitosas de egressos da Rede Federal de Educação Tecnológica e experiências inclusivas educacionais que envolvem outras ações inclusivas, direcionadas às questões étnico-raciais, mulheres, educação de jovens e adultos. O Fórum será encerrado com uma plenária final, a partir da qual um relatório será elaborado e encaminhado à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC),  indicando as perspectivas da comunidade.

O Fórum está sendo organizado pela Pró-Reitoria de Extensão do IFB, por meio da Coordenação de Educação Inclusiva e dos Núcleos de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais (NAPNEs).



Fonte: www.ifb.edu.br

29 de julho de 2012

Cursos Qualificopa



A Secretaria de Trabalho do Distrito Federal está com inscrições abertas para o programa de qualificação profissional Qualificopa até o próximo dia 03 de agosto. 




Vagas oferecidas: 2 mil vagas
Inscrições: De 23/07/2012 a 03/08/2012
Horário de atendimento: 8h às 18h.
Duração: 250 horas
Benefícios: Os alunos recebem vale-transporte, alimentação, material didático completo, seguro de vida e uniforme. Nessa etapa, o programa vai oferecer aulas de inglês em todos os cursos.
Seleção: As listas dos candidatos selecionados para as turmas do Qualificopa será divulgada no site da Secretaria de Trabalho (www.trabalho.df.gov.br).
Quem pode participar:
Todas as pessoas, com mais de 18 anos, que morem no DF e possuam a escolaridade exigida pelo curso escolhido.
LOCAIS DE INSCRIÇÃO
- Posto na Rodoviária no Plano Piloto

DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA (originais e cópias)
Documentos exigidos para inscrição:
:: Carteira de Identidade ou documento equivalente
:: CPF
Documentos exigidos para matrícula no curso após seleção:
:: Carteira de Trabalho
:: Comprovante de residência do DF
:: Certificado de conclusão da escolaridade

LOCAIS DE REALIZAÇÃO DOS CURSOS
:: Plano Piloto – Setor Comercial Sul Qd. 02, Ed. Paulo Sarasate, 4º andar
Asa Sul (próximo ao metrô)
:: Taguatinga – QSA 11, Lote 13, Loja 1 (Av. Comercial Sul)

CURSOS OFERECIDOS
Informática básica
Organização de eventos
Operador de caixa
Montagem e manutenção de micro
Assistente Administrativo*
Telemarketing
Garçom
Camareira
Vendedor
Supervisor de hospedagem
Webdesigner
* Curso novo
** Todos os cursos são de graça

MERCADO DE TRABALHO
Com o sucesso do Qualificopa, pelo menos 20% dos alunos foram inseridos no mercado de trabalho ao final do curso. Em alguns casos, como os cursos de Supervisor de Hospedagem, Camareira e Garçom, onde a procura é maior, essa porcentagem ultrapassa os 50%. Outra novidade é que, dos alunos de Telemarketing que gostariam de trabalhar, na última turma, 100% deles conseguiram uma vaga no mercado e estão empregados.
Fonte: www.trabalho.df.gov 

28 de julho de 2012

Tênis x Frescobol


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo...’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\' não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

 (Ruben Alves)

Em defesa do SUAS, Rede Socioassistencial e Organizações da Sociedade Civil realizam Primeira Conferência Livre de Assistência Social de São Sebastião

                                   O Instituto Federal de Brasília - IFB Campus São Sebastião, foi palco da Primeira Conferência Livre de As...