Deputados distritais promovem gastança com o dinheiro público


Luísa Medeiros
 
Os eleitores que desejam acompanhar na internet os gastos dos distritais com a verba indenizatória — recurso mensal que pode ser utilizado para pagar despesas decorrentes da atividade parlamentar, como aluguel de escritório político, serviço de consultoria e pesquisa, transporte e hospedagem, entre outros — vão ter que esperar. O espaço reservado para a prestação de contas dos deputados, localizado na área Transparência do site da Câmara Legislativa, acomoda apenas informações da gestão passada. Dos 14 distritais listados, somente cinco fazem parte da atual legislatura. Desses, quatro não apresentaram os comprovantes fiscais dos gastos feitos no primeiro trimestre de 2011.

O jeito é fiscalizar o uso do dinheiro público pelo Diário da Câmara Legislativa. Ontem, foi publicado o demonstrativo consolidado de março. O Correio resgatou os gastos registrados em janeiro e fevereiro deste ano para fazer o balanço trimestral (veja quadro). Os deputados podem gastar, por mês, até R$ 11.250,00. O saldo não utilizado fica acumulado para o mês seguinte, dentro do limite de 90 dias. Ou seja, a cada três meses a conta é zerada. O dinheiro é reembolsado a partir da apresentação e aprovação das notas fiscais de serviços prestados ou de produtos comprados.

No topo da lista do uso da verba indenizatória está o deputado Rôney Nemer (PMDB). Ele utilizou R$ 32.190,00 dos R$ 33.750,00 disponíveis nos primeiros três meses. O gasto mais alto foi com combustível e lubrificantes: R$ 14,100,00. O suficiente para comprar 4,7 mil litros de gasolina, se considerar o preço unitário de R$ 3. Em um carro com média de consumo de 10 quilômetros por litro, seria possível rodar 47 mil km. Ou seja, com o valor consumido pelo peemedebista, estaria garantida uma volta ao mundo. Por meio de nota, a assessoria de imprensa do deputado informou que “o combustível não é gasto apenas pelo veículo utilizado pelo parlamentar, mas também com outros carros usados no suporte do trabalho”.

Um erro de informação colocou o deputado Olair Francisco (PTdoB) no último lugar do ranking. Nos demonstrativos, ele não teria gasto nenhum centavo da verba. Questionado pelo Correio, Olair se explicou. “Abri mão da verba em janeiro, mas usei quase R$ 7 mil com aluguel e serviços de gráficas. Coisa pública não pode ter erro”, criticou. O vice-presidente da Câmara, Dr.Michel (PSL), disse que a prestação de contas dos deputados na internet será normalizada até amanhã. 
 
Via Correio Web:

Publicação: 26/04/2011 08:00

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