Projeto Quilombola e Conjuntura Política são debatidos no CEPSS

Em reunião realizada no último sábado (17), CEPSS apresentou projeto à SEPPIR e discutiu Conjuntura Política, com o Presidente da Câmara Legislativa, Deputado Cabo Patrício, e o Secretário de Administração do GDF, Wilmar Lacerda.

Nesse sábado (17), participaram de reunião realizada na parte da manhã no Centro de Educação Popular de São Sebastião, a Secretária Nacional de Combate ao Racismo, Cida Abreu, e a Secretária de Políticas para Comunidades Tradicionais, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Ivonete Carvalho.

Estiveram presentes Marlene Soares, presidente do CEPSS, a ex-presidente da entidade Silvânia Gomes Temóteo, membros e colaboradores, entre outros.

Entre os pontos da pauta, estava a visita às instalações do CEPSS bem como o conhecimento das ações e trabalhos que a entidade desenvolve em São Sebastião com enfoque nas temáticas étnicorracial, cultural e educacional.


Na ocasião, foi apresentado à Secretária da SEPPIR um projeto que a ONG pretende desenvolver junto aos moradores do quilombo Mesquita, Comunidade Tradicional localizada a 60 km de Brasília. “O projeto é fruto de uma experiência que educadores e alunos do CEPSS vivenciaram no final de 2010, quando então desenvolvíamos o Projeto Afoxé.

Ao final deste, tivemos a oportunidade de visitar in loco uma Comunidade Tradicional, que foi a comunidade do Mesquita-GO. Realizamos um intercâmbio cultural, mostrando aos moradores locais um pouco das nossas ações e, em troca, pudemos mergulhar na história viva e encantada dos formadores do quilombo e suas tradições”, explica o coordenador/colaborador Francisco Neri.

Segundo Neri, o objetivo maior do projeto é trabalhar na formação de jovens quilombolas para atuarem no resgate, na valorização e na preservação do legado histórico-cultural afro-brasileiro, a partir de ações que promovam a sustentabilidade econômica, cultural e ambiental dessa população. "Aconteceram avanços significativos no reconhecimento e concessão de direitos especiais aos povos descendentes de quilombolas, a exemplo do direito de uso e posse da terra, o direito de ser diferente, igual e protegido pelo Estado brasileiro, todavia muito ainda precisa ser feito no sentido de reparar injustiças cometidas contra afrodescendentes ao largo da História", relembrou.

Para tanto, o projeto pretende capacitar 360 (trezentas e sessenta) pessoas quilombolas – de 12 a 24 anos que se consideram ou não afrodescendentes e que sejam de baixo poder aquisitivo, nas oficinas de Percussão, pintura mural, Literatura, fotografia, Teatro, Penteados Afro-Brasileiros, Culinária Afro-Brasileira, Corte e Costura e pintura em argila.

Ivonete Carvalho destacou a importância da iniciativa, pois, segundo ela, precisamos conhecer as Comunidades Tradicionais, tendo em vista que elas são praticamente o único reduto das tradições e da história viva da africanidade e da afrobrasilidade entre nós. “O quilombo é o local onde ainda é possível encontrarmos traços originais do legado da história e da cultura negra no Brasil”, ressaltou.

Em suas considerações sobre o projeto proposto pela entidade, Carvalho assinalou que o mesmo está dentro das diretrizes da SEPPIR, porém precisa prever ações de contrapartida entre a entidade proponente e o público a ser abrangido, além de estabelecer as etapas de cada ação na parte da metodologia empregada. “Entendemos que um projeto como tal deve traduzir-se numa rica troca de experiências, saberes e fazeres. Por isso, é fundamental que se explicite qual será de fato essa troca, seja ela por meio de intercâmbios diversos, seja ela pela realização de ações que ocorram fora do eixo onde é desenvolvido o projeto, por exemplo.

Outro dado relevante a ser levado em consideração pelo projeto, conforme analisou Carvalho, é a historicidade do local onde será desenvolvido. “É importante que se resgate os costumes, as manifestações culturais e religiosas que eram próprias daquela comunidade no passado como forma de avivar nas presentes gerações o sentimento de pertencimento e de valorização do legado”, salientou.Por fim, as secretárias elogiaram a iniciativa da entidade e se colocaram à disposição para apoiarem no processo de reformulação e viabilização do mesmo junto à SEPPIR.

Conjuntura Política no DF

No mesmo dia, se reuniram no CEPSS para discutirem projetos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o Presidente da CLDF, deputado Distrital Cabo Patrício, e o Secretário de Administração do Governo do Distrito Federal, Wilmar Lacerda.

O grupo recebeu o deputado e o secretário e falou sobre o ciclo de palestra que será organizado na entidade para debater assuntos importantes para a comunidade, como Direitos Humanos, Políticas Públicas para a juventude e cultura, entre outros.

Patrício ressaltou a importância da iniciativa. “É fundamental que em todas as cidades tenham propostas como essas para melhorar a vida do cidadão”, destacou.

Posteriormente, o parlamentar desmentiu os boatos que rondam o Palácio do Buriti sobre a existência de vídeos que a princípio envolveriam o governador e outras autoridades em supostos atos de corrupção.

Também fez uma retrospectiva dos projetos que já foram apreciados pela Câmara Legislativa do DF. “Nesses meses, foram aprovados projetos importantes para a população”, lembrou. No encontro, ele citou o Pacote da Saúde, onde será possível a contratação de 5,8 mil servidores em 2011, 3 mil em 2012 e 2,4 mil em 2013; o empréstimo de 55 milhões de dólares com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para execução de obras de infraestrutura e urbanização, como calçadas, iluminação pública, asfalto e esgoto; o Plano Diretor de Transporte Urbano, que é o norteador do sistema de transporte do DF; e outros.

Wilmar Lacerda fez uma análise dos primeiros meses do Governo Agnelo e ressaltou os esforços que estão sendo empreendidos pela equipe do governo para “colocar ordem na casa”. “O nosso governador está, pouco a pouco, organizando o Estado, a começar pela saúde, pela educação e a segurança”, disse.Destacando em especial as ações governamentais na área da saúde, Lacerda adiantou que a população não terá mais o incômodo de não encontrar remédios de primeira necessidade nos hospitais. “O GDF ganhou facilidades jurídicas para a compra de material e de remédios”, informou.

Para o Secretário, um ano de governo é indiscutivelmente insuficiente para avaliar de forma crítica as ações até aqui implementadas. Por fim, o secretário ressaltou a importância de haver mais reuniões como tal para se discutir com a comunidade e a militância as ações políticas no âmbito do Distrito Federal e das Cidades-Satélites. 

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